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[ Lusoxadrez ] Grupo de amantes de xadrez. De uma forma civilizada trocamos as nossas opiniões, sobre livros, histórias passadas em frente ao tabuleiro (boas ou más), etc.
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Mensagem |
António Castanheira
Registo: 28 Abr 2006 Mensagens: 47
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Colocada: Qua Nov 08, 2006 2:23 Assunto: LEIPZIG 1960 |
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Leipzig 1960...
Há exactamente 46 anos atrás, a 8 de Novembro de 1960, no momento em que John F. Kennedy era eleito presidente dos E.U.A. (um pouco antes de o homem ir ao espaço pela primeira vez e de começar a ser feito o muro de Berlim), as selecções de 40 países tinham acabado de disputar, na cidade alemã de Leipzig, aquelas que constituíram as décimas quartas olimpíadas de xadrez.
Entre os favoritos aos primeiros lugares contavam-se inicialmente URSS, Hungria e Yugoslávia, além de EUA, Alemanha Ocidental e Argentina, com selecções formadas por figuras que acabaram, mais tarde, por conquistar um estatuto mítico.
Assim, por exemplo, pela URSS alinhavam o então recente campeão mundial Mikhail Tal, seguido por Mikhail Botvinnik, Paul Keres, Victor Korchnoy (que venceu recentemente o mundial de veteranos), Valery Smyslov e Tigran Petrossian!
Os EUA apresentavam Bobby Fischer (com 17 anos) a primeiro tabuleiro (o que fez com que o consagrado Reshvesky se recussasse a participar), além de Lombardy, Robert Byrne, Rossolimo e Weinstein.
A Yugoslávia contava com Glicoric, Matanovic e Ivkov, a Hungria com Szabo e Portisch e a Checoslováquia com Pachman mas acabaram por ser URSS, EUA e Yugoslávia a ficar nos 3 primeiros lugares.
A Alemanha Ocidental superou a Oriental por meio ponto, 8º e 9º lugares respectivamente (a equipa de Unzicker superou a de Ulhmann) e a Inglaterra foi 12ª e última da final principal, apesar de Penrose ter vencido Tal na última ronda!
O árbitro foi Ragozin (o mesmo que deu o nome a uma subvariante da «espanhola»), enquanto que, pela equipa das Filipinas, jogava um tal Florencio Campomanes e, pela Espanha, Arturo Pomar.
Tudo isto poderá ter apenas um relativo interesse, mesmo para quem gosta de xadrez, já que é visto com a distância com que se olham as fotografias a preto e branco empoeiradas que se guardam no fundo da gaveta lá de casa.
Contudo, quando temos acesso ao conhecimento dos eventos que tiveram lugar por trás das estatísticas e dos registos das partidas, sentimos que os tabuleiros e as peças podem permanecer a preto e branco mas não aqueles que as movimentaram: como numa película digitalizada, o filme ganha côr e convida-nos a experimentar os ambientes e as emoções daqueles que as viveram originalmente.
Nas Olimpíadas de 1960 participou, pela segunda vez, uma equipa portuguesa: É pois o pequeno filme da sua aventura que vos proponho ver (ou revêr) durante alguns momentos…
Já foi há mais de 10 anos que me foi contada a história desta pequena (grande) aventura, ainda que, na «investigação» que recentemente efectuei a respeito, alguns dos dados que me foram facultados revelaram-se poder não serem exactos...
De qualquer forma, considerei existirem motivos de interesse suficientes para partilhar esta história, rogando desde já desculpas por algo que possa não estar correcto e lançando simultaneamente o desafio público no sentido de completar/esclarecer alguns aspectos deste relato.
Começarei pois por vos dar a conhecer a versão «ficcionada» deste filme, após o que passarei a expôr quais os factos que poderão não corresponder à realidade ou que sejam duvidosos e que surgem assinalados com um *.
Fechem-se as cortinas, apaguem-se as luzes, deixem que as primeiras imagens difusas se formem no ecrân da vossa imaginação...
Estamos no início dos anos 60 do século passado… Joaquim Durão é o primeiro português a atingir estatuto internacional e mantém-se em boa forma. À sua volta é possível reunir um pequeno lote de jogadores talentosos que permitem pensar numa representação honrosa numas Olimpíadas de Xadrez, porém, dois obstáculos difíceis existem a vencer, antes que se possa começar a pensar em dar mates no tabuleiro:
1º - Não existe dinheiro para a deslocação da equipa;
2º - O muro de Berlim ainda não é uma realidade mas Leipzig fica atrás da «cortina de ferro» e não basta possuir um passaporte válido para alguém cruzar essa barreira em qualquer dos sentidos, são necessários vistos e autorizações complementares. Em face da pouca relevância que o desporto em geral, e o xadrez em particular, possuem na altura no país, e também do completo antagonismo político então existente entre Portugal e a ex-Alemanha de Leste, a obtenção dessas autorizações perspectiva-se complicada.
Surge então a ideia de lançar uma subescrição pública a fim de angariar fundos para a deslocação, enquanto alguns contactos privíligiados junto do governo tentam convencer este último do carácter apolítico (e isento de custos) da representação olimpíca , acabando ambas as iniciativas por obter sucesso! - É obtido o dinheiro suficiente, bem como as autorizações!
A constituição da equipa portuguesa é então a seguinte:
- Joaquim Durão
- João Mário Ribeiro
- Jorge Gonçalves
- Daniel de Oliveira
- António Rocha
- António Cardoso *
(No final do texto encontrarão mais alguns dados sobre estes pioneiros* olimpícos, por agora seguiremos com a sua aventura.)
As 40 equipas participantes são agrupadas em 3 séries de apuramento que selecionam os três primeiros para a final principal, os três seguintes para a final B e, obviamente, os restantes três para a final C.
Na 4ª sessão da série de apuramento Portugal defronta a Argentina, um país que à época tinha já passado o seu auge enquanto potência xadrezistíca mas que não deixava de ser um gigante em comparação com os portugueses, bastando referir quem eram os seus dois primeiros tabuleiros, Najdorf e Eliskases!
O ex-polaco e o ex-austriaco estão assim, lado a lado, de volta ao país que foi a causa da saída de ambos da Europa, mas por razões totalmente opostas - o primeiro tentando escapar ao regime nazi, o segundo tentando escapar aos que derrubaram esse regime!
Durão perde com Najdorf mas Mário Ribeiro empata com Eliskases e a equipa consegue assim o seu meio ponto de honra!
À 6ª sessão é a vez de defrontar a poderosa equipa holandesa onde pontificam Euwe e Donner: Desta vez sucede o oposto, Mário Ribeiro perde no 2º tabuleiro mas Durão consegue o empate com Euwe e mais uma vez se consegue meio ponto frente a uma potência!
Mas...
No dia 26 de Outubro, na 9ª e última sessão desta série os portugueses vêem sentar-se à sua frente Tal, Keres, Korchnoy e Petrossian! Os soviéticos sabem que vão vencer, não têm a certeza de fazer o pleno de 4-0 mas também pouco lhes importa, o apuramento está garantido há muito e com larga vantagem.
A equipa portuguesa está a alinhar com Durão, Mário Ribeiro, Daniel Oliveira e António Cardoso*... O que passará pelas mentes de cada um neste momento?...
Os soviéticos não sabem quem eles são (talvez com a excepção de Durão) mas sabem que o jogo dos portugueses não encerra qualquer perigo ou mistério para eles, aliás, a sua equipa técnica já viu e analisou as partidas de cada oponente e terá dito aos seus jogadores para jogarem com naturalidade.
Os portugueses, pelo contrário, sabem muito bem quem são os seus adversários mas sabem, também, que não têm equipa técnica que os apoie e que não está ao seu alcance compreender a plenitude do jogo praticado pela equipa favorita à vitória final no torneio.
Durão possui já experiência internacional mas defronta tão somente um campeão mundial, Mário Ribeiro possui menos experiência, tem consciência do seu valor mas defronta um jogador com um currículo de vitórias impressionante (um campeão não coroado), Daniel Oliveira e António Cardoso* estão pela primeira vez num cenário deste género e talvez nem tenham a exacta noção do abismo que os separa dos seus antagonistas...
As partidas desenrolam-se e, contra todas as expectativas... desta vez é Daniel Oliveira quem acaba por conseguir o meio ponto contra Korchnoy!
Poderá talvez pensar-se que, na época, Korchnoy era bastante jovem e que estaria ainda longe da forma que o celebrizou mais tarde mas não era bem assim: tinha 29 anos e acaba de vencer o Campeonato Soviético com 1,5 pontos de avanço sobre o 2º (Geller)! .
Semelhante proeza só será ultrapassada quase 30 anos mais tarde, quando António Antunes consegue vencer o mesmo Korchnoy na Olimpíada de Salónica 1988 e repetir o empate aqui evocado na Olimpíada de Novi Sad 1990.
Os soviéticos triunfam arransando toda a concorrência, vencem colectivamente todos os encontros e, individualmente, em 80 jogos conseguem 53 vitórias, 26 empates e consentem apenas uma derrota (Tal contra Penrose, já mencionada). Por tabuleiros conseguem 4 medalhas de ouro, 1 de prata e 1 de bronze!
(Aliás, desde que esta equipa iniciou a sua participação nas Olimpíadas, em Helsínquia - 1952, regista apenas vitórias até que, finalmente em Buenos Aires -1978, fica em 2º, perdendo para a Hungria. Para eles, este resultado é um choque: um dos seus jogadores confessa que, para a população do seu país, este resultado é incompreensível e que se pensa seja sintomático de que algo vai mal na cultura e sociedades soviéticas!
Esta afirmação demonstra, só por si, o impacto e prestígio que a modalidade possuía à época naquele país, sendo de notar que, curiosamente, acontecimentos posteriores poderiam ser interpretados, sob determinado ponto de vista, como uma prova de que talvez esta análise fosse correcta).
Os portugueses, por seu turno, devem sentir-se satisfeitos: Com apenas duas vitórias e dois empates não conseguem fugir à última das séries, porém, fazer melhor estava praticamente fora do seu alcance e tiveram a honra de defrontar algumas das mais fortes equipas e jogadores mundiais, conseguindo mesmo obter alguns pontos que poucos julgavam possíveis.
Durão e Mário Ribeiro, nos dois primeiros tabuleiros, fazem, respectivamente, 44% e 56%, o que se pode considerar dentro das expectativas, assim como Jorge Gonçalves (53%), mas Daniel Oliveira surpreende com os (59%) obtidos. António Rocha e António Cardoso* têm prestações entre o aceitável (43% para Rocha) e o modesto (17% para Cardoso).
Portugal acaba por obter o 6º lugar na Série C, com 7 vitórias, 1 empate e 3 derrotas, a que corresponde o 30º lugar na geral, demonstrando saber procurar fazer sempre o seu melhor, com a entreajuda de todos.
É um desempenho que nos levaria a pensar se estar em presença de uma equipa coesa, unida e solidária entre si....mas, neste caso em concreto, não seria bem assim!
Algures durante a competição, Daniel Oliveira (um jogador estreante na prova mas com grande talento) decide aproveitar a oportunidade para adquirir alguma literatura política cuja circulação não é autorizada em Portugal.
Quando esta revelação é feita, instala-se um certo (para não dizer bastante) mal estar em alguns dos restantes membros da equipa, uma vez que é previsível que surgirão sérios problemas à entrada na fronteira portuguesa, quando e se a bagagem fôr inspecionada (talvez não seja demais referir a quem ler este texto e é mais jovem ou estrangeiro que, naquela época, a posse deste género de objecto poderia causar inúmeros incómodos, tais como cancelamento de prestação de serviços para organismos do estado ou discriminações a diversos níveis e, em última análise, resultar em detenção).
Se nos lembrarmos das condições, dir-se-ia, quase excepcionais, com que foi obtida a autorização para a representação portuguesa no evento, na permissa de que a mesma teria um carácter totalmente apolítico, será compreensível a pressão que começa a ser colocada sobre Oliveira no sentido de desistir dos seus intentos, contudo, o mesmo revela-se irredutível.
António Cardoso* é o capitão da equipa, um homem racional, moderado e conciliador, que tenta mediar o conflito. Primeiro tenta de novo convencer Oliveira a desistir da sua ideia, sublinhando os riscos envolvidos para ele e para todos os outros...mas em vão: Para o bem e para o mal, Oliveira é impulsivo, determinado, agarrado às suas convicções, egoisticamente ou coerentemente (depende da perspectiva de cada um) torna claro que não se deixa condicionar por nada nem ninguém e que se a sua presença incomoda tanto assim os demais, se fôr preciso, voltará para Portugal de boleia!
Cardoso, que é, por natureza, calmo e ponderado, não acredita no que lhe está a acontecer e caminha para uma crise de nervos... No entanto, consegue ainda manter algum discernimento e idealizar, juntamente com Oliveira, um qualquer método para camuflar a literatura entre as bagagens, de modo a convencer os outros que os riscos foram minimizados, embora estes tornem claro que, caso venham a ocorrer problemas, se demarcarão de qualquer envolvimento na questão, negando qualquer conhecimento prévio do assunto.
A solução de compromisso permite que a equipa regresse junta a Portugal.
Durante o trajecto, Cardoso* faz figas e promete a si próprio no futuro não voltar a assumir semelhantes responsabilidades, enquanto Oliveira talvez esteja a pensar que concretizou um dos seus objectivos e antecipa novas aventuras nos tabuleiros e em outros campos.
Passam na fronteira sem qualquer incidente, a bagagem não é inspeccionada.
No ano seguinte, o muro de Berlim cresce sobre a cidade com o mesmo nome, colocando simbolicamente esta história para lá de um tempo e de um local que se tornarão cada vez mais distantes na memória dos xadrezistas portugueses.
António Cardoso* não mais voltará a ser capitão de uma equipa olimpíca, dado que não voltará a participar. Daniel Oliveira não voltará a fazer jogadas perigosas do mesmo género, dado que também não voltará a participar em mais nenhuma Olimpíada e acaba por falecer relativamente cedo, alguns anos depois desta participação fugaz mas não menos brilhante e atribulada.
Que se reacendam as luzes e se dê lugar ao debate...
Porque é que no texto acima surgem alguns «*» e quais são os dados que permanecem por apurar?
Bem, o facto de se ter promovido uma subscrição pública para obter os fundos necessários à deslocação e de ter sido necessário convencer o governo a autorizar a mesma, levaria a pensar tratar-se de uma estreia na Olimpíada, contudo, assim não foi:
O site www.olimpbase.org apresenta os registos de todas as Olimpíadas já disputadas, com todos os resultados e participantes que nelas tomaram parte. Deste modo, verifica-se que, já em 1958, na cidade de Munique, tinha participado uma equipa portuguesa constituída por Durão, Paulo Oliveira, Mário Ribeiro, Jorge Gonçalves, Renato Pereira e António Cardoso, pelo que, em Leipzig, se tratou da segunda participação.
Se neste site consultarmos a tabela relativa à participação portuguesa de 1960 (www.olimpbase.org/1960/1960por) veremos que o sexto tabuleiro da equipa é....Fernando Cardoso e não António Cardoso!
Um pormenor que pode parecer subtil mas que faz toda a diferença: de facto, se António Cardoso não tivesse estado em Leipzig ou se ele e Fernando Cardoso não são uma única e mesma pessoa, a história contada anteriormente deixa de fazer sentido pois António Cardoso é uma das suas personagens principais!
Se fizermos uma pesquisa semelhante mas em relação à equipa que participou em 1958, constata-se que, aqui sim, jogou António Cardoso...
Será possível que, apenas no intervalo de dois anos, tenham surgido, no quantitativamente pobre panorama xadrezistico da altura, dois jogadores de qualidade, ambos com o apelido «Cardoso»?! A ser assim seria uma grande coincidência...
...Ou será que simplesmente «António» e «Fernando» eram dois nomes próprios da mesma pessoa, a qual assinou numa Olimpíada com um nome e na outra com o outro?
...Ou talvez os seus apelidos fossem «Fernando Cardoso» e tenha sido esse o nome sob o qual jogou em 1960?!....
Para terminar, e como prometido, ficam aqui algumas referências acerca das personagens desta aventura:
Joaquim Durão - Dispensa apresentações a todos os que gostam de xadrez em Portugal: Primeiro MI português e dominador quase completo do panorama competitivo nacional nos anos 50 e 60 do passado século, 13 vezes campeão nacional, divulgador, ex- Vice Presidente da FIDE e várias vezes presidente da Federação portuguesa, cargo que ainda ocupa actualmente. Continua a participar em Open´s em Portugal, Espanha e França.
João Mário Ribeiro - Mestre Nacional de grande talento, 3 vezes campeão nacional em 3 décadas diferentes (!), deve ter atingido uma cotação próxima do que seriam hoje cerca de 2300 pts ELO (numa época em que no país quase não existiam livros de xadrez, nem computadores, nem adversários nem torneios cotados que permitissem a subida de categoria). Foi um dos poucos que conseguiu contestar o domínio competitivo de Durão nas décadas de 50 e 60 do século passado. Tive o prazer de assitir a uma das suas (até agora) últimas actuações quando participou num dos Torneios «Mestre Jovem» em Loures, por volta de 2000/2001, e forçou o GM sérvio Strikovic a ceder um empate por repetição mas depois de ter tido posição ganhante.
Jorge Gonçalves - Não disponho de quaisquer dados, a não ser que disputou alguns jogos (de simultaneas e não só) com Alekhine, quando aquele último residiu em Portugal.
Daniel Oliveira - Jogador talentoso e intuitivo, campeão nacional em 1953, deve ter também se aproximado de uma força próxima dos 2300 pts, vivia intensamente e o xadrez não deveria ser o seu único (ou principal) interesse na vida. Possuía um irmão que também jogava, mas a um nível diferente (+/- 1900) e que se chamava José Oliveira.
António Rocha - Mestre Nacional, detentor de um estilo de jogo discreto mas muito eficiente (deveria atingir cerca de 2200 pts). Possuía também uma verdadeira paixão pelo jogo que o levava a procurar, em cada posição, o melhor lance, por mais subtil que fosse, mesmo quando já tinha descoberto outras formas de ganhar ou consolidar uma vantagem. Por regra solidário e bem disposto, sentia também prazer por contribuir para a formação de jovens xadrezistas.
António Cardoso - Engenheiro civil, apresentava um sorriso franco e aberto, possuía um carácter e uma rigidez moral inabaláveis que, julgo, seriam advento da sua formação académica realizada num meio universitário antigamente mais destinado a formar, não só técnicos, mas também elites. Jogador muito racional e metódico, confiava mais na sua capacidade de cálculo do que na intuição, deveria apresentar cerca de 2050 pts. As características da sua personalidade e o seu voluntarismo devem tê-lo conduzido a assumir diversas vezes funções de responsabilidade nas equipas que integrou. Faleceu na década de 1990.
Francisco Cardoso - Não disponho de quaisquer dados (nesta história é o fantasma da personagem anterior!...).
Este texto presta tributo aos jogadores que, à sua maneira e dentro do que lhes foi possível, permitiram criar condições para que o xadrez (apesar de tudo) tenha hoje em Portugal uma dimensão totalmente diferente da que existia naqueles já longíquos anos.
Exte texto é também dedicado a todos os que gostam de uma boa história e de uma boa história sobre xadrez em particular, que envolva jogadores de outras épocas.
A minha esperança é também que, entre os que gostam destas histórias, um antigo participante assíduo deste fórum e destas temáticas se sinta motivado para um regresso, nem que esporádico (como convidado especial), deixando-nos uma história com a assinatura.... «Arlindo Vieira».
Bibliografia
A principal referência para obtenção de informação foi o site já mencionado, www.olimpbase.org, contudo, foram também consultados:
- Paul Keres, Photographs and Games, Ed. Demerlen, 1995;
- A Picture History of Chess de Fred Wilson, Ed Dover Publications, 1981;
- Xeque-Mate no Estoril de Dagoberto L. Markl, Ed. Campo das Letras, 2001.
Cumprimentos a todos, bons jogos e boa época
António Castanheira |
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Xequemate Site Admin

Registo: 27 Abr 2006 Mensagens: 263 Local/Origem: Alpiarça/Santarém
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Colocada: Qua Nov 08, 2006 20:52 Assunto: |
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Bravo! Simplesmente fantástico este artigo. Adorei
Abraço
Antonio Russo
P.S. - Pena o Joaquim Durão não contar algumas histórias que só ele sabe dos meandros do xadrez de alta competição. Devia ser fantástico! |
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António Castanheira
Registo: 28 Abr 2006 Mensagens: 47
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Colocada: Sáb Nov 11, 2006 2:24 Assunto: |
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Há meia dúzia de anos chegou a funcionar, na cidade de Lisboa, o designado "Centro de Xadrez de Lisboa", que consistia num pavilhão pré-fabricado de 40m2 localizado junto ao relógio (assaltado várias vezes), numa área que distanciava 200m do estacionamento mais próximo e ainda mais de qualquer transporte.
Foram as condições a que o xadrez teve direito na capital e que, mesmo assim, são melhores que as actuais que são zero.
De qualquer forma, foi nestas condições que o MI Joaquim Durão concedeu na altura uma conferência/palestra acerca da sua carreira, que contou com cerca de 20 assistentes.
Durão foi evocando diversas situações e curiosidades do tempo em que iniciou a competição, mostrando por vezes aos presentes documentos (artigos de jornal, cartas federativas, etc) relativos a esses acontecimentos, os quais por sua vez remetiam para outras histórias e outras curiosidades, de modo que...
...após mais de 2 horas ainda se estava no ano de 1958 (nem sequer se tinha chegado à época por mim aqui evocada), pelo que se considerou unanimemente que, apesar do interesse, o resto das histórias teria de ficar por contar num outro dia...que entretanto ainda não ocorreu.
Julgo que esta palestra foi gravada em videotape e também em cassete audio.
Não sei se estarei enganado mas, segundo me lembro (se não foi nesta conferência foi noutra idêntica) houve um problema técnico e a filmagem não captou o som!
Não sei se também ainda existe (e em que condições) a gravação audio (se existisse ainda se poderia tentar uma espécie de playback...).
Se a filmagem ainda existir (deve ser pouco provável) ela deveria pertencer ao espólio do plano de desenvolvimento de xadrez de Lisboa, na altura coordenado pelo João Coutinho.
Cumps
António Castanheira |
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